segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Festa do Lambe Sujo e Caboclinho atrai uma multidão para Laranjeiras


Conhecida como a capital da cultura sergipana, a cidade de Laranjeira, 18 km de Aracaju, ainda preserva uma das mais antigas tradições de Sergipe, que há mais de 100 anos leva a população a encenar um dos mais lindos espetáculos que visitantes podem assistir e interagir com a população: a festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, que todos os anos é encenada sempre no segundo domingo de outubro. A festa tem início às 4h da manhã com alvorada, cortejo dos Lambe-Sujos e Caboclinhos pelas principais ruas da cidade e às 9h é realizada uma missa em frente à igreja Matriz. O espaço fica cheio e até os visitantes são batizados com a tinta usada na brincadeira de melar, uma mistura de mel de cabaú misturado ao pó xadrez. A funcionária pública Helem Tarollin não perde a festa. Ela reside em Aracaju e afirmou que se contagia com as brincadeiras. "Neste dia todos se misturam e viram Lambe-Sujos e Caboclinhos, independente de raça ou posição social. Todos os anos estou aqui e não quero perder este momento por nada", disse.
Quem vai à festa já sabe que o uso de roupas velhas é um requisito a ser levado a sério. “Você pode correr e se esconder, mas em algum momento um lambe-sujo vai te dizer, dá, dá, iô iô e mesmo que você dê o dinheiro que ele pede, o agradecimento será um abraço bem melado”, conta o empresário Roberto Junior
Tradição
O evento dura o dia inteiro e é considerada uma das maiores manifestações de teatro espontâneo ao ar livre do mundo. Festa do Lambe-Sujo x Caboclinhos, conta a história dos escravos africanos e como suas fugas e artifícios confundiam os capitães do mato. O próprio termo "Lambe-Sujo" vem da camuflagem que os escravos aplicavam sobre o corpo para facilitar sua fuga. A luta entre estes e os índios, devido à instalação dos quilombos em territórios dos "caboclinhos.
O Lambe-Sujo possui um número ilimitado de participantes dentre eles, existe o rei, o primeiro e segundo feitores, mãe Suzana, princesa e negros. Nos Caboclinhos, o rei e a rainha, cacique, pajé e caboclinhos. De short e gorro de flanela vermelhos são os adereços pessoais de cada brincante que colore as ruas da cidade. Os lambes-sujos pintam o corpo com uma mistura de tinta preta e melaço de cana e carregam uma foice símbolo da luta pela liberdade. Já os caboclinhos pintam o corpo de vermelho e se vestem com índios, com saiote e colar de penas
No período da tarde é vez das figuras reais dos grupos entrarem em cena. Enquanto os lambe - sujos buscam seu rei, o pai Juá e sua mãe Susana, os caboclinhos buscam seus príncipes e princesas. Começa então a fase crucial da festa aonde os grupos folclóricos encenam a derrota dos negros todos são sempre acompanhados por grupos musicais.

Peregrinação a Divina Pastora levará mais de 100 mil pessoas ao município


O turismo religioso tem crescido no país, o que contribui cada vez mais para o incremento da economia de pequenos municípios. De acordo com dados do Governo Federal, no Brasil existem mais 300 cidades com calendário de eventos religiosos, a maior parte católicos. Em Sergipe, a peregrinação a Divina Pastora, que teve início há 53 anos, leva milhares de fiéis e devotos a cidade.
Divina Pastora, no interior de Sergipe, é um dos destinos mais procurados pelos fiéis do nordeste. Por ano, segundo dados da policia militar, a cidade, cuja população fixa chega perto de 4.500 mil habitantes, recebe cerca de 100 mil de visitantes. Nos últimos cinco anos o número de turistas aumentou em média 10%. “Recebemos caravanas do Ceará, Pernambuco, Alagoas e da Bahia. Essa peregrinação gera renda para a cidade através de aluguéis de casas e das vendas feitas pelos ambulantes locais”, disse o vice-prefeito do município, Bruno de Sá Araújo.
Atentos a este crescimento, que deverá ser ainda maior nos próximos anos, a Secretaria de Turismo de Sergipe (Setur) fará uma pesquisa oficial para mapear o perfil destes visitantes. “Iremos realizar pela primeira vez essa pesquisa em Divina Pastora com a finalidade de saber o perfil, de onde vem e as necessidades deste visitante. Somente com estes dados poderemos discutir o turismo religioso no estado, mostrando suas particularidades e a importância socioeconômica do fenômeno para a população local e, principalmente, realizar melhorias dos atrativos turísticos e da infraestrutura urbana nas localidades envolvidas com o processo”, explica o secretário adjunto da Setur, José Roberto de Lima.
Peregrinação
A peregrinação à cidade começou em 1958, com cerca de 50 jovens do grupo pastoral universitário, da Faculdade de Filosofia de Sergipe, comandados pelo padre Luciano Duarte, então arcebispo de Aracaju. “O início da peregrinação foi um sinal de missão para que os jovens da pastoral aprendessem com as dificuldades que a fé é um caminho árduo, conta o padre Helelon dos Anjos”, administrador da paróquia do município de Divina Pastora.
Segundo o padre Helelon, uma das maiores dificuldade enfrentadas durante a peregrinação de Divina Pastora é a aglomeração de barracas dos vendedores de rua. “Estamos trabalhando desde 2009 para organizar e diminuir os ambulantes que, na maioria das vezes, atrapalham os percursos dos fiéis ocupando os espaços que deveriam ser dos transeuntes”, fala.
A maior peregrinação do estado de Sergipe é realizada anualmente no terceiro domingo do mês de outubro. Possui um trajeto é de 10 km, saindo do município de Riachuelo até a Igreja de Nossa Senhora, em Divina Pastora. Esta igreja é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1943, mas a arquidiocese de Aracaju já solicitou para 2012 a elevação da igreja de Nossa Senhora de Divina Pastora para Santuário.